Ele pensou por um momento que um momento não era o bastante para pensar tudo o que deveria pensar. Já tivera sua cota de pensamentos não tivera? Deveria haver algum tipo de programa de distribuição de pensamentos no país, agora mesmo se sentia monopolizando todos eles e isso era errado. Pensou que tudo estava perfeitamente do jeito que deveria estar antes que a conhecesse e que, provavelmente, continuaria estando se nunca a tivesse encontrado, mesmo que não estariam perfeitamente bem já que nunca a teria conhecido. Na verdade, só três pessoas ness hemisfério poderiam acompanhar essa linha de raciocínio, e duas delas não eram nem pessoas.
Ela também deveria estar bem feliz antes de conhecê-lo, pensou. Era lógico. Talvez não tivesse do que reclamar no jeito que as coisas iam antes. Talvez ela estivesse plenamente satisfeita exatamente do jeito que as coisas eram.
Deu três passos em direção à porta que separava o quarto do quarto de mundo que ele achava que conhecia, a intenção clara de desanuviar a cabeça e esquecer tudo o que tentara pensar nos últimos minutos expressa nos passos apressados. Parou ao som do *beep* familiar do aparelho de celular em cima da mesa. No batente que agora parecia intransponível ele disse para qualquer coisa que pudesse ouvir:
- Qual é a palavra que se usa para definir a extrema necessidade de algo que você nunca achou que algum dia fosse precisar para começo de conversa?
Amor, as paredes responderam, mas ele não ouviu. Não com os ouvidos.

1 comentários:
Humm..otimo encerramento.
Gostei da onomatoéia também.
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